tarifa salgada

Desativação dos trens do Subúrbio de Salvador, impacta de forma negativa na vida dos trabalhadores

Os usuários do transporte ferroviário que gastavam R$ 31,00 em um mês, vai passar a gastar R$ 260,40.

16/02/2021 07h33Atualizado há 2 semanas
Por: Redação
Fonte: Paula Magalhães
 Estação de trem do bairro da Calçada fechada nesta segunda-feira (15) / Foto: Paula Magalhães
Estação de trem do bairro da Calçada fechada nesta segunda-feira (15) / Foto: Paula Magalhães

 

Cesta básica tá cara! Gasolina tá cara! Gás de cozinha está caro! E para os usuários de trem do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a passagem no transporte começou a pesar no bolso. Tudo isso porque o valor do trem que era R$ 0,50 centavos parou nesta segunda (15), e os usuários do transporte ferroviário terão que desembolsar R$ 8,40 para se locomoverem entre o Subúrbio e a Calçada. Ou seja, quem gastava R$ 31,00 em um mês, vai passar a gastar R$ 260,40. Cerca de seis mil pessoas usavam o serviço todos os dias e agora terão que se adaptar sem o trem.

 

Um dos usuários do transporte ferroviário, Gilberto Santos, 47 anos, é vendedor de picolé na região da Calçada e Comércio, utilizava o trem há 10 anos e diz que ainda não sabe como vai ser daqui pra frente. ‘’Hoje eu tive que desembolsar R$ 4,20 que seria o dinheiro da minha alimentação, agora vou ter que vender todos esses picolés para substituir esse valor que gastei, e ainda tem o dinheiro da volta. Hoje eu consegui esse dinheiro para trabalhar, amanhã eu já não sei’’. Segundo ele, os usuários do trem foram esquecidos pelo governo e pela prefeitura. ‘’Não encontraram nenhuma solução para a gente fazer nosso trajeto sem pesar no bolso e trabalhar com dignidade. Entendo que o trem precisa de melhorias e uma substituição de qualidade, mas o valor precisa ser acessível para todos. Não adianta ter um transporte bonito, onde nós, vendedores ambulantes e desempregados não tenhamos acesso a eles’’, afirmou Gilberto.

 

Os usuários do trem reclamam que com a desativação, terão de gastar mais tempo e dinheiro para se deslocar para os locais onde o trem passava. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério Público da Bahia, apontou que a maioria das pessoas que usam o trem do Subúrbio não tem renda suficiente para pagar a passagem de ônibus. A pesquisa mostra também que quase metade das pessoas que usam os trens ganham, em média, R$ 284 mensais: um valor quatro vezes menor do que o valor atual do salário mínimo. Ainda de acordo com os dados do Ministério Público, 67% dos usuários usam os trens por causa do preço da passagem e 46% não teriam condições de usar o VLT.

 

A preocupação do preço é destacada pela vendedora ambulante Suzana Santos, 64 anos, moradora do bairro do Lobato e usuária do transporte ferroviário há mais de 16 anos, relata que muitas pessoas pegam o trem por ser um valor acessível para as famílias de baixa renda. ‘’Eu sempre utilizei o trem seja para vir para a Calçada ou entre o próprio subúrbio, mas hoje eu vir trabalhar andando, pra não ter que pagar R$ 4,20, e voltarei andando também, caso contrário, teria que pagar R$ 8,40. Vou fechar minha banquinha mais cedo, porque não tenho outra alternativa. E a partir de hoje terei que fazer isso todos os dias a pé, pois com o sustento que eu tiro no mês, não será possível arcar com os custos do ônibus. Ou você trabalha pra comer, ou você trabalha pra pagar o transporte, os dois não dá’’, lamentou Suzana. A prefeitura de Salvador, que é responsável pela operação dos ônibus na cidade, informou que não foi procurada para discutir o assunto da tarifa social, mas destacou que não teria condições de arcar com este tipo de tarifa.

 

Estação da Calçada fechada nesta segunda-feira (15)

 

A desativação dos trens irá trazer impactos negativos profundos na vida desses trabalhadores, que após quase 170 em operação, o transporte que liga o Subúrbio Ferroviário pela orla da Baía de Todos-os-Santos encerraram o funcionamento no último sábado (13), para dar lugar à implementação do Veículo Leve de Transporte (VLT). No último dia para uma viagem no trem, as estações registraram aumento no número de passageiros. 

A Companhia de Transporte do Estado da Bahia (CTB), afirma que aos sábados, em dias normais, o fluxo de passageiros na primeira estação (Calçada) gira em torno de 300 a 600 pessoas, mas só neste dia, entre 5h45 e 12h, foram contabilizados cerca de 1.217 passageiros na estação situada na sede da CTB no bairro da Calçada.

A ferrovia começou a ser criada em 1853, quando Joaquim Francisco Alves Muniz Barreto recebeu do Governo Imperial a concessão para a construção de uma estrada de ferro ligando Salvador à cidade de Juazeiro. Foi a primeira da Bahia e a quinta do Brasil.

Em 2005, a gestão do trecho ferroviário entre as estações da Calçada e Paripe era de responsabilidade da Prefeitura de Salvador, porém, em maio de 2013, o sistema foi transferido para o Estado, juntamente com as obras do metrô, passando a ser administrado pela CTB.

 

Estação de trem no bairro da Calçada, em Salvador, sábado (13), no último dia de funcionamento.

 

Manifestação

Com o jargão de ‘’O trem não pode parar, R$ 8,40 a gente não pode pagar’’, os usuários do transporte ferroviário fizeram um protesto, no último dia 01 de fevereiro, exigindo que o governo do estado estabelecesse, antes da paralisação definitiva, uma mesa de negociação, onde possa estar apresentando uma solução para a população que utiliza o trem em sua rotina. Segundo o representante da União de Bairros de Salvador, Joceval Tibúrbio, os moradores do subúrbio não tem como custear um novo sistema de transporte que venha com uma oferta de preço acima da capacidade de pagamento dessas pessoas. ''Nós, marisqueiros, pescadores, vendedores ambulantes, moradores tentamos diálogo com o governo do estado há dois anos, para estabelecer um transporte de qualidade, mas que não seja excludente'', afirmou Joceval.

 

Ação do Ministério Público da Bahia

Após o governo do estado anunciar a suspensão da operação dos trens, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) entrou com uma ação, no dia 26 de janeiro, para derrubar a decisão. Segundo a promotora do MP-BA, Hortênsia Pinho, afirma que tenta negociação entre o MP e o governo do estado desde 2018, para apresentar uma solução alternativa equivalente à renda dos usuários. Além disso, ela ressalta que o aviso da paralisação com menos de um mês prejudica a preparação do orçamento familiar das pessoas que pegam o transporte diariamente. O MP sugeriu a criação de uma tarifa social no valor dos ônibus que irão substituir os trens, enquanto o VLT não fica pronto (previsão é de 24 meses de obra). ‘’No primeiro momento, o titular da 7ª vara da Fazenda Pública não concedeu a liminar, porém a promotoria recorreu ao Tribunal de Justiça. Depois disso o estado fez os estudos técnicos, mas não apresentou um cronograma e nem uma medida alternativa compatível com a capacidade financeira dos usuários do trem. Então a medida liminar não foi cumprida’’, ressaltou a promotora.

 

Linhas alternativas

Linhas que fazem os percursos coincidente,  integral ou parcialmente, ao trajeto realizado pelo trem, foram definidas as linhas abaixo como principais alternativas.

1614 - Itaigara X Mirantes de Periperi Via Brotas;

1607 - Barra X Paripe Cocisa;

1550 - Vista Alegre/Alto de Coutos/Estação Pirajá;

1633 - Ondina X Mirantes de Periperi;

1606-01 – Base Naval Barroquinha;

1606-00 – Paripe X Barroquinha;

1651 - Lapa X Base Naval Via Estrada Velha;

1637 - Mirantes de Periperi - Imbuí/Boca do Rio;

0706-00 - Nordeste - Joanes / Lobato;

1642 - Lapa X Boa v. Lobato;

1615 - Lapa X Plataforma;

1568 - Barra X Faz. Coutos/vista Alegre;

L111 - Baixa Do Fiscal / Lobato – Brasilgás.

1567 - Vista Alegre - Barra

1608 – Paripe X Ribeira

1635 – Joanes X Lobato X Rodoviária

 

 

 

 

 

 

 

 

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