Tempestade de Ideias

Espero que adivinhe meu nome

Os retratos do diabo na arte e uma performance infernal

Tempestade de Ideias

Tempestade de IdeiasProfessor Juliano Levi aborda de tudo em textos semanais, leves e criativos.

01/04/2021 20h42Atualizado há 2 semanas
Por: Juliano Levi
Fonte: Juliano Leví
Mick Jagger - The Rolling Stones rock and roll circus (1968)
Mick Jagger - The Rolling Stones rock and roll circus (1968)

Por favor, permita que eu me apresente. Sou um homem de riqueza e bom gosto. Estive por aí por muitos e muitos anos. Roubei de muitos homens a alma e a fé.  Os primeiros versos de Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, anunciam, sem dizer o nome, que estamos falando da criatura que encarna o mal primordial. Talvez você já tenha preparado os seus cruz-credo. Mas fique tranquilo, não nutro simpatia por ele. Vou falar de seus retratos na ficção e de uma performance arrepiante.

 

Mas eu vi alguns diabos na ficção por quem é impossível não nutrir alguma simpatia. A começar por Al Pacino, em O advogado do diabo. O filme me provocou alguns pesadelos, mas, ainda assim, eu voltava a assisti-lo, porque havia algo de magnético naquela interpretação. Edward Norton e Charlize Theron completavam o elenco. Chocante, assustador e terrivelmente realista. 

 

E se Deus é brasileiro, talvez o malvadão também seja. Quem deu traços maliciosamente nordestinos ao sete-pele foi Hélder Vasconcelos, no maravilhoso O homem que desafiou o diabo. Um maligno divertido, debochado e cheio de artimanhas. Também não dá para sair do cinema brasileiro sem lembrar de Luís Melo acusando e tentando levar ao mármore do inferno em O auto da compadecida. Um diabo que critica a burocracia e as contradições da sociedade brasileira. 

 

Não deve ser fácil interpretar um personagem tão cercado de mistérios e tabus. 

 

E, sem ser ator, Mick Jagger o fez. Em The Rolling Stones rock and roll circus, um show/documentário de 1968, há uma performance mitológica dos stones com Sympathy for the devil. O espetáculo completo é um ícone da geração. Juntou no mesmo palco John Lennon, The Who, Jethro Tull e é símbolo do rock and roll e da contracultura. A música em questão dura pouco mais de oito minutos. A percussão marcante e os instrumentos bem tocados são quase completamente ofuscados pela energia incontrolável do vocalista. Mick Jagger, endiabrado por oito minutos. É impressionante como na sua dança desajeitada e gestual nervoso, ele conseguiu prover um espetáculo que o marcou como rockstar e símbolo sexual. Ao som do solo final de guitarra, ele tira a camisa e revela as tatuagens aterrorizantes, mantendo a fúria no nível mais elevado. Oito minutos de intensidade infernal, que entraram para a história da música. 

 

Essa versão não tem os tão famosos “woo-woo” que tanto adoramos cantar. Mas nem precisava. Eu não acredito na existência do diabo. Creio que o bem e o mal existem no coração das pessoas e elas fazem escolhas. Seja numa interpretação artística ou em quem repousa no Palácio da Alvorada.

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