Bons Frutos

Nova Zelândia vence o coronavírus e mostra o futuro que desejamos

Restaurantes lotados, baladas abertas, empresas a pleno vapor: em cena, a vida pós-pandemia

06/04/2021 14h31Atualizado há 2 semanas
Por: Redação
Fonte: Redação
NA RUA - Pedestres sem máscaras: o país voltou ao velho normal, mas ainda mantém as fronteiras sob vigilância - Fiona Goodall/Getty Images
NA RUA - Pedestres sem máscaras: o país voltou ao velho normal, mas ainda mantém as fronteiras sob vigilância - Fiona Goodall/Getty Images

Um velho provérbio diz que não há mal que dure para sempre. Por mais que o horror do novo coronavírus continue a produzir tragédias cotidianas, a tempestade vai passar — e que seja logo. omo será quando esse dia chegar? Poucos países, talvez nenhum, podem servir de inspiração para o futuro que sonhamos quanto a Nova Zelândia. A nação de 5 milhões de habitantes encravada no Oceano Pacífico é, de fato, um caso raríssimo no mundo. No dia 30 de março, registraram-se entre os neozelandeses apenas dois casos de contaminação. O Brasil, com uma população quarenta vezes maior, identificou, na mesma data, 84 000 contágios, multiplicando, portanto, a marca da Nova Zelândia por 42 000 vezes. Desde o início da crise, o país da Oceania teve 26 mortes. A penúltima foi em setembro de 2020. A última em fevereiro passado.

Números como esses autorizaram a volta ao velho normal. Os restaurantes e bares estão cheios. As baladas ficaram agitadas como antes da pandemia. Eventos esportivos têm lotação máxima. Nos hotéis, os hóspedes deram o ar da graça novamente. Escolas, parques, museus, shoppings, repartições públicas, empresas de qualquer ramo, absolutamente tudo retornou ao pleno funcionamento, sem nenhum tipo de restrição. 

O uso de máscaras é sugerido — não obrigatório — apenas em transportes públicos e aviões. Cidades como Auckland, Christchurch e Queenstown foram palco recentemente de grandes eventos carnavalescos que reuniram nas ruas milhares de foliões, muitos deles brasileiros que vivem na Nova Zelândia.  Ninguém tem medo de aglomerações, ou de abraçar, beijar e dar as mãos. Para a maioria das pessoas, é reconfortante retomar os gestos que foram rebaixados na crise do coronavírus. Agora, eles podem ser desfrutados sem limitações.

 

Estratégias que levaram a Nova Zelândia a se livrar da pandemia:

Fechamento de Fronteiras

Em março de 2020, após os primeiros casos de coronavírus, todas as fronteiras foram fechadas. Os aeroportos interromperam completamente as operações durante seis semanas.

Lockdown Rígido

No mesmo período, todos os estabelecimentos não essenciais foram impedidos de abrir. Apenas farmácias, hospitai, supermercados e postos de gasolina funcionaram – mas só uma pessoa por família podia fazer compras ou colocar combustível.

Socorro Financeiro

O governo destinou o equivalente a 50 bilhões de reais a empresas e trabalhadores.

O exemplo que veio de cima

A primeira-ministra Jacinda Ardern cortou o próprio salário e de todos os ministros em 20%. A medida durou seis meses.

Incentivo ao uso de máscaras

O governo lançou campanhas nacionais de conscientização para o uso de máscara e o distanciamento social.

O cenário atual é reflexo, sobretudo, da resposta rápida da primeira-ministra Jacinda Arden assim que os primeiros sinais do vírus surgiram no país. Em março de 2020, quando o mundo ainda não tinha a dimensão dos estragos que viriam, Jacinda fechou as fronteiras e estabeleceu um dos lockdowns mais rígidos do planeta. Foram seis semanas de total isolamento. Nesse período, até os aeroportos pararam de funcionar e nem sequer voos domésticos foram permitidos. Como era de esperar, as medidas enérgicas geraram alguma insatisfação, mas a primeira-ministra respondeu com um pacote generoso de socorro financeiro, de aproximadamente 50 bilhões de reais, que chegou a todas as frentes, dos trabalhadores aos pequenos empresários. Obedientes aos desígnios do governo, os neozelandeses trancarem-se em casa e, assim, impediram que o vírus se alastrasse. Foi duro por um tempo, mas agora os país colhe os bons frutos.

PRIMEIRA-MINISTRA - Jacinda: exemplo de como gerir a crise sanitária 

Sim, derrotou, mas permanece atento. As fronteiras do país continuam com severas limitações. No início de 2020, antes da crise, 17 500 passageiros internacionais desembarcavam todos os dias na Nova Zelândia. Um ano depois, o número caiu para 400. A ideia é evitar o contato com estrangeiros e potenciais transmissores do vírus. Isso explica por que a maior parte dos contágios diz respeito a pessoas que de alguma forma transitaram pelas chamadas zonas fronteiriças, como aeroportos e portos.

Jacinda se mantém firme. Ela disse que não abrirá completamente as fronteiras enquanto a população não estiver 100% vacinada, o que não deve demorar muito diante dos milhões de doses encomendadas de empresas como AstraZeneca e Pfizer.  A Nova Zelândia venceu, mas é preciso dizer que sua condição geográfica foi um fator decisivo. O país é formado por duas grandes ilhas, o que por si só facilita o isolamento social. Além disso, são apenas 5 milhões de habitantes, menos do que a cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim, é inegável que o país da Oceania deu uma bela e valiosa lição para o mundo.

 

 

 

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Salvador - BA
Atualizado às 02h12
26°
Nuvens esparsas Máxima: 30° - Mínima: 25°
28°

Sensação

11 km/h

Vento

79%

Umidade

Fonte: Climatempo
Municípios
Últimas notícias
Mais lidas