Direto ao Direito

Abolição da Escravatura: Libertação ou Enganação?

Para você a abolição foi, de fato, uma libertação ou vivemos uma enganação social?

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Direto ao DireitoEscrita por Carolina Lopes, Direto ao Direito traz a proposta de descomplicar as situações jurídicas do cotidiano, a fim de propiciar a todos, informações essenciais na garantia dos seus direitos. Carol é ativista, feminista, advogada criminalista, especialista em direito penal econômico, Estatuto da Criança e do Adolescente, conhecedora e atuante do direito civil (consumerista) e jiu-jiteira faixa azul.

17/05/2021 14h59
Por: Redação
Fonte: Redação
Reprodução: Internet
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Olá, meus amores. Sentiram saudades de mim? Pois estou de volta, meu povo! E com novo textinho na área.

E como essa semana é a semana da abolição da escravatura, nada mais justo do que fazermos um texto sobre esse assunto e com uma pergunta:

Para você a abolição foi, de fato, uma libertação ou vivemos uma enganação social?

Vamos fazer assim, começaremos com os fatos históricos e no final do texto vocês respondem esse questionamento, pode ser?

A lei abolicionista de número 3.353, chamada de Lei Áurea, foi determinante para a abolição da escravatura que ocorreu no ano de 1988.

A abolição ocorreu por um processo muito longo e difícil onde muitos negros lutaram fervorosamente pela sua liberdade, bem como, parte da sociedade se associou às ideias abolicionistas, porém, o real motivo para que mundo começasse o processo de abolição, foi causado pelos novos padrões civilizatórios que passaram a existir e acabaram deixando o Brasil em uma posição desfavorável, principalmente no quesito de exportação e importação entre o Brasil e os países abolicionistas.

A luta dos escravizados no processo da conquista de sua liberdade foi um dos motivo do sucesso para o fim da escravização, pois, o movimento abolicionista só ganhou, verdadeiramente, força, quando uma pequena parcela não escravizada (pessoas brancas) reconhecem a luta e endentem que os negros também deveriam ser considerados humanos aos olhos da sociedade e não objetos que possuíam donos. 

A Inglaterra já estava em processo de abolição e vinha discutindo muito sobre o assunto com Portugal, porém, quando o Brasil deixa de ser colônia e passa ser um país independente, a Inglaterra começa a pressionar o Brasil para o fim da escravidão.

O primeiro país europeu citado acima, não estava sendo bonzinho quando começou com o processo abolicionista, em verdade, perceberam que a escravidão não era mais rentável como antes e o processo de trabalho pago geraria mais economia ao mundo e foi por este motivo a Inglaterra passa a pressionar os países à abolição, principalmente o Brasil, com quem fazia muita exportação pelos mares.

É importante destacar que a Princesa Isabel não queria, de forma alguma, que ocorresse a abolição e foi muito firme em alegar que não iria assinar a Lei Áurea, porém, quando a Inglaterra soube disso, ameaçou começar uma guerra com o Brasil e o senado, por medo da guerra, conseguiu convencer a princesa para a abolição, e por unanimidade, a lei foi aprovada no senado e assinada por Isabel no dia 13 de maio de 1988.

Ocorreram festas que duraram dias seguidos.

Ocorre que, após a abolição, os negros libertos não tiveram direitos à indenizações, não tendo lugar para ir (eles construíram suas casas, com os materiais de construção jogados fora pelos senhores de engenho e esses lugares, conhecemos hoje como Favelas/Comunidades) e por isso, muitas negras continuaram na csasas dos “sinhozinhos” ajudando a sinhá com a comida, arrumação da casa e principalmente para cuidar de vossos filhos.

Porém, muitas mulheres negras eram obrigadas a alisarem seus cabelos, pois seus naturais não eram aceitos e eram visto de forma feia e nojenta.

Motivo pelo qual, até hoje, o cabelo crespo é visto como cabelo de pobre, de quem não tem higiene e, principalmente, de quem não tem profissão importante (Profissões estas que a sociedade racista impõe que apenas elas garantem riqueza e riqueza quem detém são os brancos).

Os homens, por sua vez, começaram a trabalhar como ajudantes de pedreiros, pedreiros, mestre de obras e continuaram a trabalhar na lavoura por um bom tempo, motivo pelo qual, até o presente momento, os homens negros são consideramos homens violentos e que só servem pra trabalhos subalternos.

Ressalta-se aqui que trabalhos subalternos não é nenhuma vergonha; vergonha é uma sociedade, 132 anos após a abolição, considerar que, nós negros, só servimos para esse tipo de serviço.

 

Abaixo trago nome de pessoas que foram essenciais para a abolição:

Primeiramente, ressalta-se que não foram os homens negros que começaram o processo abolicionista; foram as mulheres e destacarei aqui apenas duas das mulheres que meu coração bate de tanto amor.

Aqualtune, avó materna de Zumbi dos Palmares, era uma princesa Africana do país do Congo e foi quem incentivou Zumbi a lutar por sua independência.

Ela conseguiu fugir e viveu livre até se tornar idosa, quando seu quilombo foi atacado.

Maria Firmina dos Reis, era livre, filha de negra com o senhor de engenho, sabia ler e escrever e foi a primeira mulher a escrever um romance abolicionista chamado “Úrsula”. Ela criou uma escola gratuita para crianças pobres (negras) e era professora desta escola. Morreu aos 92 anos de idade.

Dos homens, não podemos deixar de destacar Luiz Gonzaga Pinto da Gama, mais conhecido como Luiz Gama (esse é o meu xodó todinho), ele era baiano, bebê! Filho de negra (retinta e livre) e senhor de engenho.

Foi vendido pelo seu pai quando tinha 10 anos de idade, pois estava sem dinheiro e viveu escravizado (mesmo depois de nascer livre) até os 17 anos.

Autodidata, Luiz aprendeu a ler, escrever e se tornou advogado e jornalista (Rábula, aquela pessoa que não é advogado e nem formado em direito, mas é grande conhecedor das leis. Naquela época, não preciso estudar direito para ser reconhecido como bacharel ou advogado e nem existe prova após a formatura para, de fato, ser advogado), em 1864 começou a estudar e trabalhar na onda abolicionista onde conseguiu, de forma gratuita, a libertação dezenas de negros, além de ser o primeiro a defender que negro não era ladrão.

Fato importante a ser destacado, é que Luiz Gama era maçom e frequentava a mesma loja de maçonaria que Ruy Barbosa.

Antônio Frederico de Castro Alves, conhecido como Castro Alves, baiano também, nascido em curralinho, hoje conhecido como cidade de Castro Alves, era um poeta abolicionista e estudante de direito, filho de pai branco (médico) e mãe negra (mestiça) e escreveu um clássico chamado “o navio negreiro”.

Seus poemas eram exaltados nas reuniões dos negros abolicionistas.

Castro Alves era tão importante na literatura brasileira, que a sociedade racista o pintou como branco, clareando suas fotos e em alguns retratos ainda alisaram seus cabelos crespos.

Nota importante: O Brasil foi o último país das Américas (Sul, Central, Norte) a abolir a escravidão.

 

Bom, e aí? Agora que leu o texto e conheceu um pouco mais da nossa história abolicionista, chegou a que conclusão?

A Abolição foi uma libertação ou uma enganação?

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