Impeachment

Movimentos marcam para dia 19 novos atos contra Bolsonaro, incorpora ‘não vai ter Copa’ e prevê mais ações

A ideia é estabelecer uma agenda extensa de protestos ao longo do mês.

02/06/2021 18h18
Por: Redação
Fonte: Redação

Grupos de esquerda que lideraram os atos contra Jair Bolsonaro no último dia 29 confirmaram para o próximo dia 19, um sábado, a realização de novos protestos pelo impeachment do presidente em todo o país. A ideia é estabelecer uma agenda extensa de protestos ao longo do mês.

A definição do dia 19 como data da mobilização unitária foi decidida nesta quarta-feira (2). A oposição a Bolsonaro prevê também atos isolados nos dias anteriores, inclusive contra a realização da Copa América no país, anunciada pelo presidente. A abertura do torneio está prevista para o dia 13.

A organização dos protestos discutiu a incorporação da bandeira “não vai ter Copa” na mobilização conjunta, mas a proposta acabou descartada. Com isso, as pautas unitárias do dia 19 serão a saída de Bolsonaro e os pedidos de mais vacinas contra a Covid-19 e de auxílio emergencial de R$ 600.

Movimentos sociais, estudantis e sindicais, além de partidos de esquerda (agrupados em um fórum batizado de campanha nacional Fora, Bolsonaro), atraíram milhares de pessoas às ruas em 210 cidades do Brasil e em 14 países, no fim de semana, na maior manifestação contra o governo durante a pandemia.

A confirmação de novas passeatas ocorre em meio à alta de casos de Covid-19 e ao risco da chamada terceira onda da doença no país. Os riscos ligados ao vírus foram debatidos nos fóruns responsáveis pela convocação, mas prevaleceu o entendimento de que era preciso manter a unidade das entidades.

O principal argumento dos que defendiam a realização imediata de novos protestos é o de que foram seguidas nas ruas as orientações pelo uso de máscara e pelo distanciamento entre os participantes, o que garantiria o respeito às normas sanitárias. Houve, no entanto, registros de aglomerações.

Outras datas foram cogitadas, como 12 e 26 de junho, mas restaram dúvidas sobre questões como a disposição dos manifestantes para voltarem às ruas em um espaço de tempo tão curto, caso o ato fosse no início do mês, e o temor de que uma data distante fizesse o movimento perder a temperatura.

Além disso, foi levantada a preocupação de que no fim de junho o cenário da doença esteja ainda pior, o que, no limite, forçaria até o cancelamento da convocação. A ordem é reforçar as recomendações de proteção para os manifestantes, envolvendo máscara, álcool em gel e distanciamento.

Em comunicado, a campanha afirmou que, “diante da enorme vitória política”, a nova data foi definida em consenso por uma articulação “que reúne centenas de organizações nacionais, entre partidos de esquerda, entidades estudantis, centrais sindicais, movimentos sociais e diversos coletivos e ativistas”.

Líderes envolvidos nas mobilizações viram a decisão de Bolsonaro de receber a Copa América, mesmo com a pandemia de Covid-19 descontrolada no país, como mais um elemento motivador dos protestos.

A reação contrária à competição esportiva internacional rememora protestos ocorridos em 2013, durante o governo Dilma Rousseff (PT), contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Partidos de oposição a Bolsonaro, inclusive o PT, se opuseram à decisão de Bolsonaro.

Para os manifestantes, a acolhida ao evento do futebol sul-americano é mais uma demonstração da sabotagem nas medidas para evitar a disseminação do vírus, uma das razões apontadas para sustentarem a necessidade de afastamento do presidente da República.

Embora a mobilização esteja agendada para depois do início do torneio, há a intenção de expressar insatisfação com a medida tomada pelo governo federal na direção contrária do aconselhado por cientistas, baseados nos altos números de casos da Covid-19 e da vacinação ainda lenta.

Não estão descartados protestos no dia 13, organizados isoladamente por entidades da coalizão, com o mote da crítica à Copa América. A tendência é que eles ocorram nos estados onde haverá jogos —até agora, foram anunciadas partidas no Rio de Janeiro, em Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal.

Os protestos gerais abraçam também pautas como apoio à CPI da Covid (vista como o caminho mais curto para a responsabilização de Bolsonaro pelas mortes na crise sanitária), fim da violência policial e ataque às privatizações e aos cortes de verbas para universidades públicas.

Em uma tentativa de dissociar a iniciativa de entidades ou legendas específicas, a convocação ficou a cargo de frentes como a Povo sem Medo, a Brasil Popular e a Coalizão Negra por Direitos, que reúnem centenas de entidades do chamado campo progressista.

Siglas como PT, PSOL e PC do B deram apoio e também chamaram seus filiados, mas enfatizaram o discurso de que a organização ficou a cargo dos movimentos sociais. A CUT (Central Única dos Trabalhadores), contrária a atos de rua agora, não fez convocação institucionalmente.

A UNE (União Nacional dos Estudantes), uma das entidades que puxam os protestos, está programando iniciativas para “aquecer” a militância antes do dia 19, com “plenárias de mobilização, ações simbólicas e assembleias nas universidades”, segundo seu presidente, Iago Montalvão.

Ao Painel o pré-candidato ao Governo de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL), que também é da coordenação da frente Povo sem Medo e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), defendeu a continuidade de “um processo que abriu uma janela para poder avançar o debate sobre impeachment”.

“Não dá para esperar passivamente até 2022. As mobilizações terão os mesmos protocolos de segurança, com equipes de orientação, álcool em gel, distanciamento social”, disse Boulos.

Na segunda (31), o presidente minimizou o tamanho dos atos do dia 29 e disse que faltou maconha e dinheiro para os manifestantes que ocuparam as ruas.

Bolsonaro e seus apoiadores buscaram pintar a iniciativa como evento de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve disputar o Planalto em 2022 e lidera as pesquisas de intenção de voto. O petista não compareceu nem insuflou apoiadores para se juntarem às marchas.

Ao endossar a convocação dos novos atos em uma rede social, o PT disse ser necessário “intensificar a mobilização e tomar as ruas do país”, repetindo a expressão “vai ser maior”.

Um dos temores expostos em conversas internas das organizações é o de baixa adesão aos próximos atos. Se o volume de participantes e de cidades envolvidas no dia 19 for menor, o Palácio do Planalto será municiado com um argumento fatal para desqualificar a articulação dos detratores.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta terça-feira (1º) que “não é uma caminhada de um grupo numa semana” que vai fazer com que um processo de impeachment ande na Casa. Cabe a Lira dar andamento a um dos mais de 110 pedidos de impeachment em análise na Câmara dos Deputados.

Como mostrou a Folha, organizadores dos atos que pedem a saída do presidente falam em ampliar a adesão de forças para além da esquerda, mas veem resistências.

Organizações mais à direita, o MBL (Movimento Brasil Livre) e o VPR (Vem Pra Rua) mantêm a decisão de não provocarem aglomerações, sob a justificativa de obediência às autoridades de saúde. Os dois grupos puxaram multidões pelo impeachment de Dilma em 2015 e 2016.

Além do vírus, outra razão expressa nos núcleos da direita é a resistência a se misturar aos esquerdistas. A avaliação é a de que grupos que foram capazes de aglutinar milhares de pessoas contra o PT e em apoio à Operação Lava Jato têm capacidade, caso queiram, de galvanizar as próprias bases.

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