Caso Atakarejo

Suspeitos de envolvimento no caso de tio e sobrinho mortos após furtarem carne em mercado têm prisão prorrogada

Entre os presos estão o gerente-geral da loja, um encarregado de segurança, um segurança, e cinco homens apontados como traficantes de drogas no bairro de Amaralina.

09/06/2021 14h13
Por: Redação
Fonte: Redação
Filha de um dos homens mortos protesta em frente ao hipermercado Atakarejo, no bairro de Fazenda Coutos — Foto: Diego Barreto
Filha de um dos homens mortos protesta em frente ao hipermercado Atakarejo, no bairro de Fazenda Coutos — Foto: Diego Barreto

Foram prorrogadas as prisões dos oito suspeitos de envolvimento nas mortes de Bruno e Yan Barros, tio e sobrinho que teriam sido entregues a traficantes após furtarem carne no Hipermercado Atakarejo, no bairro de Amaralina, em Salvador. O prazo de 30 dias da prisão temporária expirou nesta quarta-feira (9).

A Polícia Civil não deu detalhes sobre a prorrogação das prisões, mas afirmou que o inquérito policial foi prorrogado para a coleta de novos dados e que laudos periciais estão sendo analisados.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que está acompanhando as investigações e aguarda o envio do inquérito policial para se manifestar sobre o caso. A rede de hipermercados Atakarejo não comentou a prorrogação das prisões.

Entre os presos, estão o gerente-geral da loja de Amaralina, um encarregado de segurança, um segurança e cinco homens apontados como traficantes de drogas na região.

 

Mortes de Bruno e Yan Barros

Na noite de 26 de abril, dois homens foram achados mortos na localidade da Polêmica, em Salvador. De acordo com a Polícia Civil, eles foram torturados e atingidos por disparos de arma de fogo. À época, a polícia informou que a motivação do crime estava relacionada ao tráfico de drogas.

Um dia depois, na terça-feira (27), eles foram identificados como Bruno Barros e Yan Barros. Na quinta-feira (29), a mãe de Yan, Elaine Costa Silva, revelou que ele foi morto após ter sido flagrado pelos seguranças do supermercado Atakarejo, após furtar carne no estabelecimento.

Segundo ela, o tio de Yan, Bruno, que também foi morto, enviou áudios a uma amiga informando o que tinha acontecido e pedindo ajuda para não ser entregue aos traficantes do Nordeste de Amaralina.

Na sexta-feira (30), parentes e amigos dos dois homens fizeram uma manifestação na rua onde eles moravam, em Fazenda Coutos, e depois na frente do Atacadão Atakarejo, que fica no mesmo bairro.

O grupo bloqueou a rua próximo à Base Comunitária da Polícia Militar pedindo justiça. Emocionada, a mãe de Bruno Barros, Dionésia Pereira, chegou a passar mal durante o ato. Depois, eles caminharam até a entrada do supermercado e com cartazes fizeram um protesto.

Por meio de nota, o Atakarejo informou à época das mortes que é cumpridor da legislação vigente e atua rigorosamente comprometido com a obediência às normas legais, e que não compactua com qualquer ato em desacordo com a lei. Disse também que os fatos questionados envolvem segurança pública e que certamente serão investigados e conduzidos pela autoridade pública competente.

 

Seguranças presos e envolvimento do tráfico

Oito pessoas já foram presas suspeitas de envolvimento nas mortes. Três delas são funcionários do Atakarejo e outras cinco são suspeitos de tráfico de drogas e de envolvimento no crime.

No dia 10 de maio, uma operação policial prendeu três seguranças do Atakarejo, o gerente da loja e quatro suspeitos de tráfico, por envolvimento na morte de Bruno e Yan.

Na operação, a polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão no supermercado e em casas no complexo de bairros que formam o Nordeste de Amaralina. Filmagens de câmeras de segurança foram parcialmente encontradas, e a polícia investiga se parte do material, que não foi registrado, foi apagada.

Em uma entrevista coletiva, no mesmo dia, a polícia confirmou a versão da família de que tio e sobrinho foram entregues aos suspeitos de tráfico pelos funcionários do supermercado. No mesmo dia, os três funcionários do Atakarejo foram presos em uma operação policial.

Na mesma coletiva, a polícia disse que os seguranças pediram R$ 700 para liberar as vítimas. Três celulares, requisitados pela polícia, foram entregues pelo advogado do supermercado, no DHPP. Os aparelhos eram usados pelo encarregado de prevenção de perdas, gerente de operações e pelo gerente geral.

Em nota, o Atakarejo informou que instalou um processo de sindicância que já resultou no afastamento dos funcionários suspeitos de envolvimento com o fato em questão, até que as investigações sejam concluídas.

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