Tempestade de Ideias

Vai ter sempre uma Marta

A nossa camisa 10 é eterna no coração de quem ama o futebol

Tempestade de Ideias

Tempestade de IdeiasProfessor Juliano Levi aborda de tudo em textos semanais, leves e criativos.

22/07/2021 19h40Atualizado há 2 meses
Por: Juliano Levi
Fonte: Juliano Leví
Marta - fonte: Correio Braziliense
Marta - fonte: Correio Braziliense

O lendário jornalista Armando Nogueira, certa vez disse sobre o rei do futebol: “se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola.” Na monarquia do país do futebol, existe uma incontestável rainha: Marta Vieira da Silva, alagoana, nascida em 19 de Fevereiro de 1986. E sempre que vossa majestade da bola pisar no gramado, eu estarei lá como súdito fiel e audiência. 

 

“Oxe, essa coluna não fala sobre arte?”

 

E é exatamente isso que Marta faz. A camisa dez da seleção brasileira de futebol tem mais troféus de melhor do mundo que letras no primeiro nome. É a atleta, entre homens e mulheres, que mais marcou gols com a camisa da amarelinha. A maior artilheira das copas do mundo de futebol feminino. Marca gols em profusão e é craque também fora das quatro linhas, sendo nomeada pela ONU como Embaixadora da boa vontade para mulheres e meninas no esporte. Ela é um símbolo. O historiador Ernst H. Kantorowicz, em seu livro Os dois corpos do rei, afirmou que, na Inglaterra absolutista do séc. XVI, o rei era visto como uma entidade possuidora de dois corpos: o natural e o místico. O corpo natural envelhece e pode até adoecer, enquanto que sua contraparte mística perdura num plano onde pode manifestar sua perfeição. Assim é Marta. Ela vai prevalecer.

 

Na estreia do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, a alagoana de Dois Riachos marcou dois gols. O segundo deles, uma amostra grátis da sua genialidade. Ela faz a jogada pela direita e cruza para a área. Na confusão, a bola sobra novamente para ela com SETE jogadoras chinesas ao redor. Numa fração de segundo, Marta observou o posicionamento das adversárias e companheiras, olhou onde a goleira estava e tomou a decisão de chutar direto para o gol. A velocidade absurda da tomada de decisão foi somada à técnica impressionante no arremate. Marta colocou a bola rente à trave, num ponto impossível de ser alcançada pela goleira chinesa, exatamente onde ela queria. Existem momentos em que o esporte se torna arte, obra-prima da estética e do espírito criativo. Assista ao lance. Você vai ver como ninguém esperava que ela fizesse aquilo.

 

No dia em que o Brasil foi eliminado para a França na Copa do Mundo Feminina, em 2019, Marta desabafou na entrevista e disse que “não vai haver sempre uma Marta.” No dia, compartilhei a frustração dela e concordei. Hoje, discordo completamente. Marta, você é rainha. E como tal, terá seu corpo místico eternizado no panteão do futebol mundial. Outras craques surgirão como herdeiras do seu legado. O que você faz é arte.

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