Tempestade de Ideias

Dar vida com a voz

Esta é a mágica que os dubladores brasileiros fazem

Tempestade de Ideias

Tempestade de IdeiasProfessor Juliano Levi aborda de tudo em textos semanais, leves e criativos.

29/07/2021 19h30Atualizado há 2 meses
Por: Juliano Levi
Fonte: Juliano Leví
Orlando Drummond - foto: Ana Branco
Orlando Drummond - foto: Ana Branco

 

Dia 27 de Julho de 2021, faleceu Orlando Drummond Cardoso. O centenário ator, dublador, comediante e radialista emprestou sua poderosa voz para inúmeros personagens marcantes. Scooby-Doo, Alf, o teimoso, Gargamel, dos Smurfs, Vingador, de Caverna do Dragão, Popeye, Patolino e tantos outros que estiveram presentes nos momentos de entretenimento de gerações. A dublagem brasileira está de luto. Uma enorme perda. Ofereço a coluna de hoje como uma simples homenagem a todos aqueles que dão vida com a voz.

 

Dublador também é artista. E tem um dos mais difíceis ofícios das artes. Muitas vezes padecem de um injusto anonimato.

 

O artista da dublagem deixa um pouco da sua alma no personagem que interpreta. Nós aprendemos as lições dos nossos heróis através de uma voz que se gruda, de modo indelével, à história que está sendo contada. Com Wendel Bezerra (Goku), aprendi a ser resiliente e confiar nos amigos. Com Guilherme Briggs (Mewtwo), aprendi que não são as condições de nascimento que determinam o nosso destino, mas o que fazemos com o dom da vida. Com Francisco Brêtas (Hyoga de Cisne), reforcei o amor no meu peito através da serenidade. Estes artistas, através das suas performances vocais, são responsáveis pela formação da personalidade e dos sonhos de milhões de pessoas em nosso país.

 

O dublador é uma parte do seu personagem e o contrário também é verdadeiro. Há um trecho de filme que despertou em mim, bem cedo, o desejo de trabalhar com crítica de arte. O ano era 2007. O filme: Ratatouille. Anton Ego era um crítico gastronômico temido entre os chefs franceses por suas avaliações duras e destrutivas. O ponto alto do personagem é um texto em que, ao escrever elogios sobre o protagonista do filme, ele reflete sobre o fazer do crítico de arte. São dois minutinhos do filme em que a estrela é a voz do dublador Lauro Fabiano. E a qualidade da escrita é tão deliciosa que eu me lembro de pensar: “eu quero escrever desse jeito!” Ainda que Anton Ego seja um personagem da ficção, não posso negar a influência dele no meu estilo de escrita. E Lauro Fabiano, que lhe deu vida com a voz, é o destinatário da minha gratidão. 

 

A arte imita a vida. Mas a vida encontra na arte a inspiração e o encanto. A voz dos dubladores é o sopro que cria os personagens que marcam nossa história. Tire alguns minutos para pesquisar quem está por trás de seus heróis e vilões favoritos. É maravilhoso conhecer o artista que gerou em você tantas emoções através da fala. A magia de transformar o texto escrito em emoção é valiosa e inesquecível. Obrigado a todos os dubladores do Brasil. Obrigado Orlando Drummond. 

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