Tempestade de Ideias

Um detetive no século I

O assassino e o profeta se passa no ano 6 d.C

Tempestade de Ideias

Tempestade de IdeiasProfessor Juliano Levi aborda de tudo em textos semanais, leves e criativos.

09/09/2021 18h08
Por: Juliano Levi
Fonte: Juliano Leví
O assassino e o profeta - Guillaume Prévost
O assassino e o profeta - Guillaume Prévost

Historiadores e detetives são irmãos de ofício. As semelhanças de método são impressionantes e uma das diferenças é a escala de tempo que pode ser trabalhada. Gosto de me sentir um pouco como um investigador, às vezes. Juntando evidências, dando atenção aos mínimos detalhes para compor uma solução. Esta não é uma afinidade só minha. Estou lendo O assassino e o profeta de Guillaume Prévost e sinto que encontrei mais um entusiasta de mistérios. 

 

Eu só não imaginava como seria difícil solucionar um crime na Antiguidade. 

 

O livro conta a história de Fílon, um jovem judeu que sai do Egito para Jerusalém e se vê envolvido numa trama de assassinatos e intrigas no coração da cidade sagrada. O autor, nascido em Madagascar, é historiador e um especialista reconhecido no gênero policial histórico. Ele nos leva às terras áridas da Palestina na Antiguidade com uma ambientação minuciosa. Existem até mapas descritivos de pontos de interesse da região naquela época. Os costumes, as tradições judaicas e a opressão do domínio romano são elementos que enriquecem a narrativa e são muito educativos. Para quem curte escritores como Dan Brown (O código Da Vinci) e Margareth George (Memórias de Cleópatra), este livro é um prato cheio. 

 

Imagine uma unidade do C.S.I  ou um Sherlock Holmes sem acesso a nenhuma tecnologia? A dificuldade de descobrir um assassino sem recursos como impressões digitais, fotografias, câmeras de segurança é absurda. As ruas quase não tinham calçamento e iluminação noturna estava fora de cogitação. Conhecimentos de anatomia? Limitadíssimos. O protagonista, nascido em Alexandria, só podia contar com seu intelecto e visão aguçada aos pormenores. E é muito legal como o escritor malgaxe consegue estabelecer situações perfeitamente críveis na construção das investigações. O suspense em torno do assassino fica presente a todo tempo e nós vamos transitando pela Galiléia tentando encontrar algum personagem histórico familiar. 

 

Eu ainda não terminei de ler o livro. É bom que eu não lhes dou spoilers. Mas posso dizer sim, que é uma história cheia de surpresas. Tenho meu palpite sobre quem é o perpetrador do crime. Espero que meu faro de investigador se mostre tão eficaz quanto o dos detetives. O certo é que Guillaume Prévost me conquistou e esta não será a única obra sua que irei ler.

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