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Versos que nos definem

Texto especial de aniversário da coluna

13/01/2022 às 19h16
Por: Juliano Levi Fonte: Juliano Leví
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Bitter Sweet Symphony (cena do clipe) - The Verve. Hut Records/Virgin Records
Bitter Sweet Symphony (cena do clipe) - The Verve. Hut Records/Virgin Records

A Tempestade de Ideias está completando um ano na Fonte da Notícia! Parabéns para nós! Parabéns a você, leitor, que não perde um texto novo que sai por aqui. Tenho muito orgulho desta marca. Chegamos a um total de 52 quintas-feiras recheadas de indicações, críticas, análises e reflexões. Neste período conversamos sobre teatro, música, pintura, cinema, escultura, arquitetura, videogames e tantos outros assuntos do mundo artístico e cultural.  Admito que, assim que recebi o convite deste portal, eu considerava extremamente difícil manter um conteúdo semanal de qualidade. Pode consultar nossos arquivos. Você notará que, desde a estreia,  não houve nenhuma semana sem Tempestade de Ideias no ano de 2021.  

 

Sinto que, ao longo deste tempo, cada leitor me conheceu um pouco mais através dos meus escritos. Mesmo aqueles que eu nunca tive oportunidade de encontrar pessoalmente, ou sequer sei o nome. Você lê o que escrevo e isto me faz feliz. 

 

De modo a proporcionar uma aproximação ainda maior entre nós, resolvi escrever hoje sobre os versos de músicas que, de alguma forma, me definem. Este é um retrato do momento atual, naturalmente. É possível, até provável, que no futuro, eles sejam outros. 

 

Por estar vivendo um romance fantástico, preciso começar falando de amor. Poeta que também sou, adoro músicas que inserem poemas na composição. É o caso de “Mãos denhas”, de Carlinhos Brown. Uma belíssima canção, que conta com a participação de Chico Buarque, que recita o poema Suor caseiro, do próprio Brown. Me derreto ao ouvir a voz poderosa de Chico falando os versos: “Acostumei-me ao comportamento natural das coisas. E então pedi ao amor uma companhia que mudasse o meu percurso. Entre a fresta do invisível e a ausência do merecido. Vi o que queria ver. Guardei uma gota para lavar-me o suor caseiro e me fazer sonhar na viagem, pleno de ti.” 

 

Ainda no campo de músicas com inserções poéticas, guardo no peito “Sol em festa” de Saulo Fernandes e Ênio Taquari. Saulo é um símbolo da baianidade e no meio das apresentações desta canção ele recita “Meto-me para dentro”, poema de Alberto Caeiro, um dos heterônimos da lenda Fernando Pessoa. Me sinto exatamente como os versos descrevem quando medito. A meditação passou a fazer parte de minha vida neste último ano. Uma ferramenta poderosa para encarar todas as dificuldades que temos enfrentado. Gosto especialmente desta estrofe: “E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso. Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir. Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito. E lá fora um grande silêncio como um Deus que dorme.” 

 

Tenho versos definitivos até quando pratico esportes. Minha paixão pela natação é acompanhada por “Debaixo d'água'', de Arnaldo Antunes. Debaixo d'água protegido, salvo, fora de perigo. Aliviado, sem perdão e sem pecado.Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar. Mas tinha que respirar.”  Jogando bola, enquanto dou dribles e faço gols (sim, no plural)  a minha trilha sonora é “Ponta de lança africano (Umbabararuma)”  de Jorge Ben Jor. Basta eu dar os primeiros toques na bola e já lembro dos versos: “Pula, cai, levanta, mete gol, vibra, abre espaço, chuta e agradece.” 

 

Tenho versos internacionais que também me definem. As divertidas partidas de RPG com meus amigos são facilmente relembradas nos versos: “I used to roll the dice. Feel the fear in my enemy's eyes. Listened as the crowd would sing. Now the old king is dead! Long live the king!”  da música “Viva la vida”  de Coldplay.  A saudosa lembrança de meu irmão mais velho se torna vívida nos versos de “Bitter Sweet Symphony” do The Verve. O nosso coração era o destino final dos versos: “I'll take you down to the only road I've ever been down. You know the one that takes you to the places where all the veins meet.”  

 

Versos. Músicas. Sentimentos. Interpretações. Talvez mais importante do que aquilo que o artista queria dizer, é aquilo que nosso sentimento absorve. Como no verso “Eu queria, que essa fantasia fosse eterna. Quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar”, da canção “Baianidade nagô” (composição de Evandro Rodrigues),  um hino do carnaval da Bahia que só me lembra do manto do meu Afoxé Filhos de Gandhy. O que há de mais mágico na arte é este diálogo entre a obra e o seu público. Cada um de vocês me conheceu um pouco mais através dos versos que me definem, apesar de existirem muitos outros que não citei aqui. Quais são os versos que definem você?  



Ps.: Como sei que vocês vão ficar curiosos para escutar as músicas aqui citadas, seguem os links:

 

1 - Mãos denhas - Carlinhos Brown

2 - Sol em festa - Saulo

3 - Debaixo d'água - Arnaldo Antunes

4 - Umbabarauma - Jorge Ben Jor

5 - Viva la vida - Coldplay

6 - Bitter Sweet Symphony - The Verve

7 - Baianidade nagô - Daniela Mercury 

 

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